Skip to main content

Lei do Bem (Lei nº 11.196/2005) é um dos principais instrumentos de incentivo à inovação tecnológica no Brasil. O mecanismo permite que empresas tributadas pelo Lucro Real deduzam despesas com pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, reduzindo o custo tributário associado aos investimentos em tecnologia. 

Embora o incentivo esteja diretamente relacionado aos tributos sobre o lucro, muitas empresas que analisam o benefício levantam uma dúvida recorrente: qual é a relação entre a Lei do Bem e tributos sobre o faturamento, como PIS e COFINS? 

A conexão entre esses temas surge porque empresas elegíveis à Lei do Bem normalmente estão inseridas no mesmo regime tributário em que se aplicam as regras de créditos de PIS e COFINS, especialmente no regime não cumulativo. 

O que é a Lei do Bem e qual o impacto do incentivo no Brasil

A Lei do Bem foi criada para estimular o investimento privado em inovação tecnológica. O benefício permite que empresas deduzam entre 60% e 100% dos dispêndios com atividades de pesquisa e desenvolvimento na apuração do IRPJ e da CSLL. 

Entre os gastos que podem ser considerados elegíveis estão: 

  • salários de pesquisadores e equipes técnicas 
  • contratação de serviços especializados em P&D 
  • aquisição de insumos utilizados em experimentação ou prototipagem 
  • depreciação de equipamentos utilizados em atividades tecnológicas 

Os números mostram a dimensão desse incentivo. Segundo o Relatório Anual da Lei do Bem divulgado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)3.493 empresas utilizaram o benefício em 2022, declarando R$ 35,3 bilhões em dispêndios em pesquisa e desenvolvimento. A renúncia fiscal estimada associada ao programa foi de aproximadamente R$ 7,1 bilhões, envolvendo mais de 45 mil pesquisadores em projetos tecnológicos. 

Mesmo com esse volume de investimento, o uso do incentivo ainda é restrito em relação ao universo potencial de empresas. Estimativas indicam que mais de 30 mil empresas no Brasil estão no regime de Lucro Real, condição necessária para utilizar a Lei do Bem. 

Como funcionam PIS e COFINS no regime não cumulativo

As contribuições PIS e COFINS incidem sobre a receita das empresas e representam uma parcela relevante da arrecadação federal. No regime não cumulativo, que se aplica principalmente a empresas do Lucro Real, a alíquota combinada pode chegar a 9,25% sobre o faturamento. 

Nesse modelo, as empresas podem descontar créditos calculados sobre determinados custos e despesas ligados à atividade econômica, reduzindo o valor efetivamente pago das contribuições. 

Entre os itens que podem gerar créditos estão: 

  • insumos utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços 
  • energia elétrica 
  • aluguel de instalações utilizadas na atividade operacional 
  • depreciação de ativos vinculados à atividade produtiva 

Esse sistema busca reduzir a cumulatividade tributária ao longo da cadeia produtiva, permitindo que parte dos custos da empresa seja considerada na apuração das contribuições. 

Onde Lei do Bem e PIS/COFINS se conectam

A relação entre Lei do Bem e PIS/COFINS aparece principalmente na forma como despesas associadas à inovação são classificadas e registradas na contabilidade das empresas. 

Regime tributário compartilhado 

A Lei do Bem exige que a empresa esteja no Lucro Real, que também é o regime em que normalmente se aplica o PIS e COFINS não cumulativos. Isso significa que muitas empresas que utilizam o incentivo à inovação também operam dentro da lógica de créditos dessas contribuições. 

Na prática, investimentos em inovação passam a fazer parte do conjunto de despesas que precisam ser analisadas do ponto de vista tributário. 

Tratamento de insumos em projetos tecnológicos 

Determinados gastos utilizados em projetos de pesquisa e desenvolvimento, como materiais de teste, componentes para prototipagem ou serviços técnicos especializados, podem ter impacto na caracterização de insumos para fins de crédito de PIS e COFINS, dependendo da natureza da atividade empresarial. 

Esse tema ganhou maior clareza após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Tema 779, que definiu que despesas podem ser consideradas insumos quando forem essenciais ou relevantes para a atividade econômica da empresa. 

Essa interpretação ampliou o debate sobre quais tipos de despesas podem gerar créditos tributários, especialmente em setores com forte componente tecnológico. 

Estrutura de controle contábil e documental 

Para acessar a Lei do Bem, as empresas precisam manter controle detalhado dos projetos de inovação, dos dispêndios associados e da documentação técnica dos projetos. Essa organização contábil tende a melhorar a rastreabilidade dos gastos e pode facilitar análises relacionadas à classificação de custos e despesas para fins tributários. 

Empresas que estruturam processos formais de gestão da inovação e governança fiscal costumam ter maior clareza sobre a natureza dos dispêndios tecnológicos, o que contribui para uma gestão mais consistente de incentivos e créditos tributários.

O papel dos incentivos fiscais no investimento em inovação

O incentivo à inovação é um tema relevante para a competitividade econômica. O Brasil investe cerca de 1,2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e da OCDE. Em países da OCDE, a média de investimento em P&D ultrapassa 2,5% do PIB. 

Uma parcela importante desse investimento no Brasil vem do setor privado, frequentemente apoiado por instrumentos fiscais como a Lei do Bem e por políticas de financiamento público. 

Nesse cenário, compreender como investimentos em inovação se relacionam com a estrutura tributária federal, incluindo tributos sobre o lucro e contribuições sobre o faturamento, torna-se parte relevante da estratégia das empresas que buscam ampliar competitividade tecnológica e eficiência fiscal. 

Pedido de Ressarcimento de IPI

Receita Federal moderniza o Pedido de Ressarcimento de IPI: o que muda para empresas 

A Receita Federal modernizou o Pedido de Ressarcimento de IPI com maior digitalização, integração de dados fiscais e padronização de informações. A mudança busca reduzir inconsistências e tornar a análise de créditos tributários mais eficiente. Empresas industriais e exportadoras devem revisar seus processos de controle fiscal e garantir a consistência das informações enviadas para aproveitar corretamente os créditos de IPI.

Leia mais »
Imposto de Renda 2026

Imposto de Renda 2026: regras, obrigatoriedade e como se preparar com mais precisão 

O Imposto de Renda 2026 exige que contribuintes informem rendimentos, despesas e patrimônio referentes a 2025, seguindo critérios de renda e movimentação financeira definidos pela Receita Federal. Com mais de 40 milhões de declarações anuais e forte digitalização do cruzamento de dados, a organização das informações se tornou essencial para evitar inconsistências e multas. O aumento de investidores e a complexidade das operações financeiras reforçam a importância de planejamento e, em alguns casos, apoio especializado para garantir precisão na declaração.

Leia mais »
Lei do Bem como funciona

Lei do Bem: como funciona o principal incentivo fiscal para inovação no Brasil 

A Lei do Bem é o principal incentivo fiscal para inovação no Brasil, permitindo que empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento reduzam o IRPJ e a CSLL. O mecanismo estimula investimentos privados em tecnologia e já mobiliza dezenas de bilhões de reais por ano em atividades de P&D. Compreender como funciona a Lei do Bem é fundamental para empresas que buscam estruturar projetos de inovação e aproveitar os incentivos disponíveis na política industrial brasileira.

Leia mais »
nanoempreendedor

O que é o nanoempreendedor e por que esse perfil cresce no Brasil 

O nanoempreendedor é um profissional que opera um negócio extremamente enxuto, muitas vezes individual e apoiado em plataformas digitais. Esse modelo tem crescido no Brasil impulsionado pela digitalização do comércio, pelo aumento do empreendedorismo individual e pelas novas formas de trabalho independente. Com baixo custo inicial e grande flexibilidade, o nanoempreendedorismo reflete mudanças importantes na economia e na forma como pequenos negócios surgem e se desenvolvem.

Leia mais »
nova atualização Google Maps

Atualização Google Maps: uma das maiores da história com uso ampliado de inteligência artificial 

O Google Maps recebeu uma atualização considerada uma das maiores dos últimos anos, ampliando o uso de inteligência artificial e adicionando novas funcionalidades de navegação e descoberta de lugares. Com mais de 2 bilhões de usuários mensais, a plataforma se consolida como uma infraestrutura digital central para mobilidade urbana e busca por estabelecimentos locais, influenciando tanto a experiência dos usuários quanto a visibilidade de empresas dentro do ecossistema digital.

Leia mais »
estimativa de benefício Lei do Bem

O que é a estimativa de benefício na Lei do Bem e por que ela é importante para empresas inovadoras 

A estimativa de benefício da Lei do Bem é uma projeção financeira que calcula o potencial de economia tributária que empresas podem obter ao aplicar os incentivos fiscais voltados para pesquisa, desenvolvimento e inovação. Ao considerar investimentos em PD&I, percentuais de dedução previstos na legislação e impacto nos tributos federais, essa estimativa ajuda empresas a planejar projetos tecnológicos, melhorar a gestão tributária e estruturar o uso estratégico da Lei do Bem.

Leia mais »

Tags:

Notícias
Post by Annelize Pires
Mar 18, 2025 4:40:25 PM

Comments