O Banco Central vem reagindo ao avanço dos golpes financeiros, que cresceram 17% entre 2023 e 2024 e já somam perdas de cerca de R$ 10,1 bilhões em um único ano, segundo dados da Febraban. Em paralelo, levantamentos da Serasa Experian indicam que mais da metade dos brasileiros já foi vítima de algum tipo de fraude recente, com tentativas de golpes bancários em alta de 10,4% no mesmo período.
Nesse contexto, o BC está apertando o cerco aos criminosos com uma combinação de medidas de segurança no sistema financeiro e, agora, com o lançamento do BC Protege+, um serviço gratuito que permite ao cidadão “travar” o próprio CPF ou CNPJ para impedir a abertura de contas em seu nome ou sua inclusão como titular ou representante em contas de terceiros.
O BC Protege+ é um sistema do Banco Central que registra, em uma base única consultada por todas as instituições financeiras participantes, a decisão da pessoa física ou jurídica de não autorizar a abertura de novas contas (conta corrente, poupança ou conta de pagamento pré-paga) nem a inclusão do seu nome como titular, cotitular ou representante em contas de terceiros.
Em termos simples, ele funciona como uma “trava de CPF ou CNPJ” para esse tipo de contratação: se a proteção estiver ativa, o banco é obrigado a consultar o BC Protege+ antes de abrir a conta, e, ao encontrar o bloqueio, deve recusar a operação.
A partir de 1º de dezembro de 2025, a consulta ao BC Protege+ passa a ser etapa obrigatória do processo de abertura de contas e de inclusão de titulares ou representantes, reforçando a segurança cadastral em todo o Sistema Financeiro Nacional.
O ambiente financeiro brasileiro ficou muito mais digital, com Pix, contas digitais e abertura de relacionamento totalmente online, o que trouxe conveniência, mas também ampliou o uso de dados vazados e identidades falsas por quadrilhas especializadas.
Enquanto os bancos e o próprio BC já vinham investindo em autenticação, monitoramento de transações e bloqueios via Pix, as estatísticas mostram que o problema continua relevante: em 2024, as perdas com golpes bancários chegaram a bilhões de reais, com crescimento de dois dígitos em relação ao ano anterior.
Além disso, o Banco Central já vinha adotando outras medidas de segurança, como:
O BC Protege+ se soma a esse conjunto de ações com um foco muito direto: impedir fraudes que começam na abertura de contas e no uso indevido de dados cadastrais.
Quando você ativa a proteção no BC Protege+, o sistema registra uma restrição vinculada ao seu CPF ou CNPJ. A partir daí, as instituições financeiras, ao consultarem essa base, encontram o bloqueio e não podem concluir determinadas operações, como:
Esse bloqueio é especialmente útil para reduzir golpes em que criminosos usam documentos falsos ou dados vazados para abrir contas, fazer empréstimos ou movimentar recursos em nome das vítimas.
O processo será feito de forma totalmente digital, pela área logada do Meu BC, portal de serviços do Banco Central, que utiliza o login gov.br.
De forma resumida, o fluxo é:
O serviço pode ser interessante para perfis diversos, especialmente para quem quer reduzir a exposição a fraudes ligadas à abertura de contas com dados pessoais. Alguns exemplos de públicos que tendem a se beneficiar:
O importante é entender que o BC Protege+ atua na etapa cadastral, impedindo que uma conta seja aberta em seu nome sem sua intenção, mas não substitui cuidados básicos em relação a links suspeitos, ligações, mensagens pedindo códigos ou transferências via Pix.
O Banco Central tem destacado o envolvimento de organizações criminosas em ataques e fraudes contra instituições financeiras e de pagamento, o que levou à adoção de normas específicas para limitar operações de participantes com maior risco até que adotem controles de segurança mais robustos.
Com o BC Protege+, essa estratégia ganha uma camada adicional voltada diretamente para o cidadão, criando uma barreira preventiva contra o uso indevido do CPF ou CNPJ e ajudando a reduzir a base de contas usadas como instrumento de lavagem de dinheiro e circulação de recursos ilícitos