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Lei do Bem e competitividade: como países líderes usam incentivos para acelerar inovação  - Gröwnt

Escrito por Annelize Pires | Mar 17, 2026 3:00:00 AM

A discussão sobre Lei do Bem e competitividade está diretamente ligada à capacidade das empresas brasileiras de investir de forma consistente em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Em economias avançadas, incentivos fiscais à inovação são instrumentos estruturais de política industrial, com impacto mensurável na produtividade, no crescimento tecnológico e na atração de capital. 

Compreender como o Brasil se posiciona nesse cenário exige analisar dados comparativos e o papel estratégico da Lei nº 11.196/2005 no ambiente empresarial. 

O peso do investimento em P&D na competitividade

O investimento em pesquisa e desenvolvimento é um dos principais indicadores de maturidade tecnológica de um país. O Brasil investe aproximadamente 1,1% do PIB em P&D, enquanto a média dos países da OCDE supera 2,7% do PIB. Economias como Coreia do Sul e Israel destinam mais de 4% do PIB a atividades de pesquisa. 

Essa diferença de intensidade de investimento se reflete em produtividade industrial, geração de patentes e inserção internacional. Países que mantêm políticas estáveis de incentivo à inovação tendem a apresentar maior densidade tecnológica e maior participação em cadeias globais de valor. 

Como países líderes estruturam incentivos fiscais 

Mais de 30 países utilizam incentivos fiscais como mecanismo permanente de estímulo à inovação, segundo a OCDE. Em muitos casos, o apoio indireto via benefícios tributários supera o volume de subsídios diretos. 

Alguns exemplos: 

  • França concede crédito fiscal de até 30% sobre dispêndios elegíveis em P&D 
  • Reino Unido adota modelo de superdedução que pode ultrapassar 130% dos gastos qualificados 
  • Canadá oferece créditos reembolsáveis que podem chegar a 35% para pequenas e médias empresas 

Esses modelos reduzem o custo efetivo da inovação e ampliam a previsibilidade para planejamento tecnológico de longo prazo. A lógica econômica é clara, ao compartilhar o risco com o setor privado, o Estado estimula maior volume de investimento empresarial. 

Lei do Bem e competitividade no Brasil

No contexto brasileiro, a Lei do Bem é o principal instrumento automático de incentivo fiscal à inovação. Empresas tributadas pelo Lucro Real podem deduzir entre 60% e 100% dos dispêndios com PD&I da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, além de benefícios adicionais vinculados à contratação de pesquisadores e registro de patentes. 

Dados recentes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação indicam que: 

  • Mais de 3.000 empresas utilizam o benefício anualmente 
  • Os dispêndios declarados em PD&I superam R$ 30 bilhões por ano 
  • A renúncia fiscal associada ao mecanismo varia entre R$ 6 e R$ 8 bilhões anuais 

Embora representem números relevantes, o volume de empresas que utilizam a Lei do Bem ainda é inferior ao total de companhias enquadradas no regime de Lucro Real, o que indica espaço para ampliação do uso estratégico do incentivo. 

Impacto estratégico para empresas 

A relação entre Lei do Bem e competitividade empresarial vai além da economia tributária imediata. O incentivo: 

  • Reduz o custo marginal de projetos tecnológicos 
  • Aumenta a taxa interna de retorno de iniciativas de inovação 
  • Permite maior reinvestimento em desenvolvimento de produtos e processos 
  • Estrutura governança técnica e documentação de PD&I 

Empresas que incorporam o incentivo ao planejamento financeiro e tecnológico conseguem organizar melhor seus portfólios de inovação e tomar decisões mais alinhadas com metas de crescimento e posicionamento competitivo. 

Competitividade nacional e rankings globais 

No Global Innovation Index, o Brasil ocupa posições intermediárias, distante das economias líderes em inovação. Países que figuram consistentemente entre os primeiros colocados combinam alto investimento privado em P&D, estabilidade regulatória e incentivos fiscais previsíveis. 

O fortalecimento da Lei do Bem, aliado à ampliação de sua utilização pelas empresas, pode contribuir para elevar a intensidade tecnológica da indústria brasileira e melhorar indicadores de produtividade no médio prazo. 

A discussão sobre Lei do Bem e competitividade, portanto, envolve tanto decisões estratégicas corporativas quanto a consolidação de uma política pública orientada à inovação como vetor de desenvolvimento econômico.