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title: "Lei do Bem para Hardwares: como aproveitar para desenvolver novos produtos  - Gröwnt"
description: A captação de recursos via Lei do Bem pode ser mais eficiente quando a empresa organiza seus projetos de P&vD, mantém registros consistentes, integra áreas técnicas e fiscais e adota critérios claros de elegibilidade. Com processos bem estruturados, é possível ampliar o aproveitamento dos incentivos fiscais e fortalecer a estratégia de inovação.
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# [Lei do Bem para Hardwares: como aproveitar para desenvolver novos produtos  - Gröwnt](https://page.grownt.tech/blog-da-grownt-consultoria-e-inovação-pesquisa-e-desenvolvimento-de-sistemas-ltda/lei-do-bem-para-hardwares-como-aproveitar-para-desenvolver-novos-produtos)

 Escrito por [Annelize Pires](https://page.grownt.tech/blog-da-grownt-consultoria-e-inovação-pesquisa-e-desenvolvimento-de-sistemas-ltda/author/annelize-pires) | Mar 17, 2026 3:00:00 AM

A Lei do Bem (Lei nº 11.196/2005) é o principal mecanismo de incentivo fiscal à inovação no Brasil e permite que empresas que apuram lucro real deduzam despesas com pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na prática, a empresa pode reduzir sua carga tributária ao mesmo tempo em que investe em novos produtos e tecnologias, o que é especialmente relevante em projetos de **inovação em hardware**, que costumam exigir investimentos maiores em protótipos, testes e infraestrutura. 

Para empresas de tecnologia, indústria eletrônica, automotiva, equipamentos médicos, agritech e manufatura avançada, a Lei do Bem cria um ambiente em que o risco de inovar diminui, porque parte do custo é compensado pelos benefícios fiscais, permitindo um pipeline mais contínuo de desenvolvimento de **novos produtos de hardware**. 

## Como a Lei do Bem se conecta ao desenvolvimento de novos produtos de hardware

Projetos de hardware geralmente passam por ciclos mais longos de pesquisa, engenharia e validação, com etapas que vão desde a concepção do conceito até a produção em escala. Nesse contexto, a Lei do Bem pode apoiar: 

1. **Pesquisa aplicada e provas de conceito** 

1. Estudos de viabilidade técnica. 

1. simulações e modelagem de componentes eletrônicos ou mecânicos. 

1. análise de novos materiais, sensores, chips ou arquiteturas de sistemas embarcados. 

1. **Desenvolvimento de protótipos e MVPs físicos** 

1. compra de componentes, placas, microcontroladores, módulos de comunicação e equipamentos de teste. 

1. montagem de protótipos funcionais para avaliação interna ou com clientes selecionados. 

1. **Testes, certificações e melhorias incrementais** 

1. testes de desempenho, segurança, confiabilidade e conformidade com normas técnicas. 

1. ajustes de design, firmware, consumo de energia e integração com outros sistemas. 

1. **Integração com software e IoT** 

1. desenvolvimento de firmware, conectividade (Wi-Fi, 5G, LoRa, Bluetooth) e plataformas de monitoramento. 

1. criação de interfaces de usuário, dashboards e recursos de atualização remota (OTA). 

Todas essas atividades podem ser enquadradas como projetos de **P&D em hardware** e registradas de forma estruturada para fins de utilização dos incentivos da Lei do Bem, desde que atendam ao requisito de gerar avanço tecnológico, melhoria de desempenho, funcionalidade ou qualidade. 

## Quem pode aproveitar a Lei do Bem para inovação em hardware

Para aproveitar os benefícios, a empresa precisa cumprir alguns pontos básicos: 

- **Apuração pelo lucro real**: empresas no regime de lucro presumido ou Simples Nacional não podem usar diretamente a Lei do Bem. 

- **Lucro fiscal no período**: é necessário ter imposto devido para que a dedução faça sentido. 

- **Investimentos em P&D**: os gastos precisam estar relacionados a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, e não apenas à rotina operacional. 

- **Documentação robusta**: a empresa deve manter relatórios de projetos, escopo técnico, cronogramas, custos, equipes envolvidas e resultados obtidos. 

No caso de **empresas que desenvolvem hardware**, muitas vezes já existem atividades que se enquadram em P&D sem que sejam formalmente tratadas assim, como adaptações de placas, redesign de produtos, desenvolvimento de novos módulos, integração com sensores específicos e otimização de consumo energético de dispositivos embarcados. Ao organizar essas ações em projetos bem definidos, abre-se espaço para enquadramento na Lei do Bem. 

## Tipos de projetos de hardware que podem ser enquadrados

Alguns exemplos de **inovação em hardware** que podem ser estruturados para uso da Lei do Bem: 

- Desenvolvimento de novos dispositivos IoT para indústria, agronegócio ou cidades inteligentes. 

- criação de novos equipamentos médicos com sensores avançados e integração em nuvem. 

- atualização de linhas de produtos industriais com automação embarcada e monitoramento em tempo real. 

- design de placas eletrônicas com melhor eficiência energética ou capacidade de processamento. 

- dispositivos de segurança, rastreamento ou telemetria com novas funcionalidades ou maior precisão. 

- máquinas e equipamentos com sistemas de controle mais sofisticados ou uso de inteligência artificial de borda (edge AI). 

Quanto mais claro for o caráter de desenvolvimento tecnológico, a existência de incerteza técnica e o esforço de pesquisa e experimentação, mais fácil será justificar o enquadramento do projeto como elegível para incentivo fiscal. 

## Boas práticas para aproveitar ao máximo a Lei do Bem em projetos de hardware

Para transformar a Lei do Bem em um aliado estratégico da **inovação em hardware**, algumas práticas fazem diferença: 

1. **Planejar os projetos com visão fiscal e tecnológica ao mesmo tempo**   
    Definir, já no início, objetivos técnicos, marcos de desenvolvimento, equipe envolvida e custos estimados facilita o enquadramento e a comprovação posterior. 

1. **Registrar o ciclo de desenvolvimento com disciplina**   
    Documentar versões de protótipos, resultados de testes, problemas encontrados e soluções adotadas ajuda a demonstrar a existência de pesquisa, tentativa e erro e avanço técnico. 

1. **Segregar custos de P&D dos custos operacionais**   
    Manter centros de custos específicos para P&D, com registro de materiais, horas de trabalho e serviços contratados, evita retrabalho contábil e dá mais segurança ao aproveitamento do benefício. 

1. **Trabalhar em parceria com universidades, centros de pesquisa e startups**   
    Parcerias com instituições de ciência e tecnologia podem aumentar o grau de inovação do projeto e fortalecer a argumentação técnica, além de apoiar acesso a competências e laboratórios especializados. 

1. **Envolver áreas técnica, fiscal e jurídica desde o início**   
    Equipes de engenharia não precisam dominar todos os detalhes da Lei do Bem, mas é importante que conversem com times de finanças e tributos para estruturar o portfólio de projetos de forma alinhada. 

## Benefícios estratégicos para empresas de hardware

A utilização consistente da Lei do Bem pode gerar ganhos cumulativos para empresas que desenvolvem hardware: 

- redução de custo efetivo dos projetos de P&D ao longo dos anos. 

- ampliação do portfólio de produtos com maior conteúdo tecnológico. 

- aumento da competitividade em mercados regulados e exigentes, como saúde, energia e indústria 4.0. 

- fortalecimento da cultura interna de inovação, com times dedicados a testar, melhorar e lançar soluções com mais frequência. 

Ao tratar a **inovação em hardware** como um investimento estratégico apoiado por incentivos fiscais, a empresa cria condições para acelerar o lançamento de **novos produtos** e melhorar a margem em cada ciclo de desenvolvimento, aproveitando de forma inteligente o que a Lei do Bem oferece. 

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