Hub de conteúdo

Vacina contra a dengue: Brasil pode ganhar a primeira dose única - Gröwnt

Escrito por Annelize Pires | Mar 17, 2026 3:00:00 AM

O que é a vacina e por que é inovadora 

O Instituto Butantan desenvolveu uma candidata a vacina contra a dengue chamada Butantan-DV. Se aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), será a primeira vacina do mundo contra dengue administrada em dose única — ou seja, apenas uma injeção seria suficiente para gerar imunidade.  

A vacina é tetravalente, o que significa que ela protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Isso é importante porque há variantes diferentes do vírus circulando no país e uma vacina eficaz precisa oferecer defesa ampla.  

Resultados de eficácia e segurança

  • Os ensaios clínicos da fase 3 envolveram 16.235 participantes, com idades entre 2 e 59 anos.  
  • O imunizante demonstrou eficácia geral de 79,6% para prevenir casos sintomáticos de dengue em pessoas sem histórico prévio da doença — e de 89,2% em quem já havia sido infectado.  
  • Contra os casos graves ou com sinais de alarme, a proteção alcançou cerca de 89%.  
  • Em termos de segurança, os eventos adversos foram, em sua maioria, leves ou moderados — como dor no local da aplicação, dor de cabeça e fadiga; eventos graves foram raros (menos de 0,1%) e houve recuperação completa.  

Situação atual: aprovação pela Anvisa

O Butantan concluiu em dezembro de 2024 o envio de todos os pacotes de dados exigidos para o pedido de registro da Butantan-DV junto à Anvisa. Esse processo de submissão contínua permitiu enviar os dados à medida que eram gerados, o que pode acelerar a avaliação.  

Se o registro for concedido, o Butantan pretende disponibilizar cerca de 1 milhão de doses já em 2025, com projeção de avançar para até 60 milhões de doses anuais a partir de 2026.  

Impactos esperados para o Brasil

  • A dose única facilita a logística da vacinação e pode ampliar a adesão da população, especialmente em regiões com histórico de baixa cobertura vacinal. 
  • Com uma vacina protegendo contra os quatro sorotipos, há maior chance de reduzir o número de casos, hospitalizações e mortes. 
  • A produção nacional e em larga escala pode tornar a vacinação mais acessível e permitir que o imunizante seja incorporado no programa público de saúde (SUS).